Capítulo 24
” Como respira , Lua ? Como respira ? ”
Era tudo o que eu pensava enquanto estávamos a caminho da minha ruína . Pois sim , conhecer os pais de Arthur ( vulgo noivinho encantado ) seria o ápice da minha destruição . Eles iam me odiar . Diriam para o filho me deixar , caso contrário seria deserdado . Arthur me deixaria , já que estava comigo por nada . A juíza não acreditaria na minha mudança de conduta . Eu seria presa . De novo .
- Calma , maluquinha ! Não é o fim do mundo - Arthur apertou minha mão .
- Quem está nervosa aqui ? - Soltei nossas mãos .
- Você . - Ele arqueou a sobrancelha
- Nervosa ? Me poupe . - Tentei soar despreocupada .
- Você está morrendo de medo de conhecer meus pais . - Sim .
- Não !
- Você está com medo deles não gostarem de você . - Sim !
- Não !
- Lá no fundo , você sabe que eu estou certo ! - Sim !!!!
- Não !
- Relaxa , os coroas são gente boa! Se eles não fossem , acha que teriam topado viajar , e me deixar a sós com a minha maninha ? - Ele olhou para Mel , que dormia no banco trás , com ternura , naquele momento eu percebi que poderia existir algo mais em Arthur , do que só ” beleza exterior ” . Talvez , eu já soubesse o tempo disso . Mas dar o braço a torcer nunca foi uma opção para mim . Mudar de opinião , era novo . Principalmente se tratando de uma opinião sobre uma pessoa tão diferente de mim.
- E qual o motivo a viajem deles ? Férias ? - Indaguei , depois de um tempo.
- Não , minha avó . - Ele sorriu . Aliás ele sempre sorria quado falava da família.
- Você é muito ligado a sua família , não é ?
- Eu acho família uma coisa importante , na vida de uma pessoa .
- Eu não acho . - Falei , meio rispidamente . Pra mim , família , sempre foi um problema .
- Vai ver - Arthur falou com cautela - É por isso que você é assim .
- Assim como ?
- Diferente .
- Desculpe não ser boa o suficiente pra você , senhor Aguiar - Respondi , irônica .
- Bem… - Ele parou o carro no acostamento - Eu nunca disse que não o era . Pois você é . Boa o suficiente , não só pra mim . Mas pra qualquer um . No fundo , Lua , você é uma pessoa com um coração puro . Se não fosse , não teria feito o que fez .
- Eu fiz tudo o que fiz , por não ter um coração puro - Rebati .
- Se você acha … - Arthur riu , fraco . - … Mas pelo menos concordamos em uma coisa : Você tem um coração .
- Ah ! Nisso concordamos com certeza , Aguiar ! - Sorri - Afinal , como eu estaria viva sem um órgão para bombear meu sangue ?
- Viu , você tem um ótimo senso de humor ! - Ele gargalhou - É perfeita pra mim .
Dizendo isso , deu partida no carro.
capítulo 08
Pov. Lua
- Amava . - Ele afirmou , um tempo depois.
- E isso que está fazendo agora? - indaguei , querendo provoca-lo - Não é orgulho ferido ?
- Orgulho ferido? - Sorriu irônico . - Lua Blanco , eu não sinto nada em relação a você . Não mais , estou curado dessa doença que você me causou .
- Estar apaixonado não é doença , Arthur Aguiar - rebati
- Por você ? - ele arqueou a sobrancelha - Só um doente .
- Não pode ter acabado … - murmurei mais para mim mesma .
- Mas A-C-A-B-O-U . Aliás , nem começou nada . Aquela bobeira de criança , me deixou delirante …
- Bobeira de criança ? - As lágrimas corriam pelo rosto . MALDITAS! Como eu ia parecer forte , com aquela água salgada caindo dos meus olhos?
- Bobeira . - Ele anuiu - Mas , pelo visto , eu não fui o único a achar isso .
- Claro que foi! EU SENTI SUA FALTA! - Nesse momento eu já estava aos prantos . - Eu chorei todos os dias , durante esses anos … Pensando em te reencontrar . Meu Deus , Arthur! Eu só quero um abraço … - Disse e abri meus braços .
- Lua Blanco - Meu nome soou tão frio , saindo daquela boca . De uma maneira que eu jamais imaginei - Não sou eu quem vai abraçar você .
- Você … Você … Me odeia? - meus braços ainda estavam levantados - Me odeia ,é isso ?
- Ódio ? Amor ? Não … - Ele , que estava olhando para o lado , virou a cabeça para me encarar - Você … Não chega a nada disso . Entende ? - A forma como ele fala , demonstrava desprezo , aquilo me fazia sofrer mais ainda - Você . Pra mim . É um N-A-D-A .
Dizendo isso ele saiu . Saiu me deixando sozinha . E magoada , completamente magoada Quando eu deixei tudo aqui , nesta cidade , para ir morar com a minha mãe em outra , eu já pensava em voltar . E a coisa que mais me motivava era Arthur . Mas ali , naquele momento , eu vi que as pessoas mudam . As , vezes pra melhor , outras pra pior . Arthur mudara muito , disso eu tinha certeza . Eu só não sabia se a mudança era pra melhor ou pior . Porém , eu não estava gostando nada daquilo.
Capítulo 06 -
pov. Lua
Ele sorriu para Mel , e depois para mim . Tive vontade de soca-lo . Soca-lo bem no seu olho esquerdo , assim ele teria ”problemas” nos dois olhos e não só em um . Sínico . A única coisa boa na dispensa que eu levei , foi não ter que ficar olhando para aquela cara .
- Er … Então professor Tony … - Mel começou sem graça . - … Er… Voc…
- Você costuma ficar escutando a conversa alheia ? - interrompi Mel . O sorriso de Tony se desfez na hora .
- Quando estão falando de mim … Eu não resisto - Ele fez um gesto como se fosse tirar os óculos . Mas parou de súbito . Sim , ele escondia alguma coisa naqueles olhos .
- O que você esconde, T-O-N-Y ?
- O QUE? - Ele pareceu surpreso .
- O que? - saí do lado de Mel , que assistia aquela ”discussão” , sem dar um piu . - Sabe , professor … - Fiz uma cara de desdém , me aproximando dele - O que tem nos seus … OLHOS! - Sem sair tempo para ele reagir , puxei seus óculos .
Ele virou-se de costas para mim . E começou a gritar , desesperadamente para que eu devolvesse seus óculos . Eu não devolvi . Apenas esperei , ele teria que se virar uma hora . E eu comprovaria minha tese do olho roxo . Tony respirou fundo . E enfim virou-se para mim . Eu não sei o motivo , mas eu estava tensa .
Tony olhava para baixo , e escondia o rosto com as mãos . Antes de destampar o rosto e levantar a cabeça , ele murmurou um ”me desculpe” . E então , eu quase desmaiei . Aqueles olhos … Aqueles traços faciais … Como eu não pude reconhece-lo antes ? Como … ?
-Arthur …. ? - falei com dificuldade , pronunciar aquele nome fez minha garganta queimar .
fic LuAr - pov. Arthur
A visão dele ( capítulo bônus)
Ela havia me socado . Me xingado . Me feito de bobo . Mas mesmo assim ,eu arriscara minha vida para salva-la , mesmo assim eu havia dormido em sua varanda . Mesmo assim , eu estava lá junto dela . A acalmando , dizendo que tudo iria ficar bem .
Enquanto eu estava deitado ao seu lado , no seu quarto , ela não parecia aquela má educada , do dia inteiro . Ela parecia tão frágil , tão quebrável . Era como se fosse uma bomba relógio , cheia de problemas, e que a qualquer momento pudesse explodir . Desde o momento em que eu cruzei a sua janela , e deitei em sua cama , ela não dera uma palavra . Estava pensativa , como se precisasse me contar algo muito importante.
- Hey maluquinha - peguei uma mexa do seu cabelo cacheado - Cem reais pelos seus pensamentos.
- Cem reais? - ela me encarou - Meus pensamentos valem mais! - rimos .
- Então vamos fazer assim , você me conta e depois eu digo quanto vale - propus .
- E eu posso confiar em você? - Lua arqueou a sobrancelha .
- Acabei de te salvar desse… desse.. Eu não sei . Quem é ele?
- É sobre isso que eu preciso te contar … - ela engoliu em seco .
Senti o clima ficar tenso . O ar descontraido com que ela falava sumiu , quase que automaticamente . Ela endireitou-se na cama , e começou a remexer em seus cabelos . Ela tinha algo para me contar , e era algo muito sério .
- … O nome dele é Gustavo - recomeçou depois de um tempo , olhava para baixo . - Ele foi meu nam… Namorado . - Ergueu a cabeça e me encarou , olhos nos olhos . - Tudo o que eu vou te contar agora , pode fazer você me desprezar … Então … Me ouça até o fim , ok?
Escutei até o fim toda a sua história . Desde o favoritismo de sua mãe por sua irmã Sol , a sua estadia na casa de Paul . O acidente dos seus pais foi o que mais me chocou . Depois que saiu da cadeia , Gustavo voltou para se vingar de Lua , armou a morte dos pais dela , e colocou a culpa na garota … Lua chorou do começo ao fim , as vezes eu pedia para ela parar , mas ela dizia que não . E sinceramente , foi bom ela ter me contado .
- Agora me odeie - disse por fim .
- Te odiar? - indaguei incrédulo - Você não fez nada de mais Lua … Você é apenas uma menina confusa , jogada no mundo … E sem ninguém pra te dar carinho… e te compreender … - Fiz uma pequena pausa para sorrir - … Até agora.
- Quer dizer que você é meu príncipe ? - Indagou irônica
- Não - balancei a cabeça negativamente - Você não é nem um pouco princesa …
- Seu idiota! - me deu um tapa no braço - Além do mais , já encontrei alguém que me compreenda - sorriu
- QUEM? - Quase gritei .
- Tua irmã . Contei tudo a ela .
- Mas eu garanto que as informações fizeram mais bem a mim . - Sorri e dei um beijo em sua bochecha .
- Por …
- … Bem , agora eu sei de onde você tirou todo esse seu vocabulário extenso , em palavrões . Temos que agradecer Antonely , por tornar você tão educada. - Gargalhamos .
Eu nunca havia me sentido daquela maneira antes. Com ninguém. Era como se mesmo sendo tão diferentes , ela fosse o encaixe perfeito para mim . Com ela , eu não era o grande ”Arthur Aguiar” , herdeiro de uma fortuna quase infinita . Eu era apenas Arthur . E ela , ela era apenas a Lua . A Lua maluquinha , que me batia , mas que depois me abraçava quando estava com medo… Tão pequena , tão frágil , tão linda , tão minha . […]
beijos.
Roberta&Diego
“El amor no es sólo un sentimiento. Es tambien un arte”
E um dia eu disse: Nunca vou me apaixonar, nunca vou chorar por amor, nunca vou depender de ninguém. Daí você aparece e eu digo: Eu amo você, não me faça chorar porque você é tudo o que eu realmente preciso para viver. {wonderlandrbr}